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CCEE, ONS e EPE avançam no desenvolvimento de Novo Modelo computacional em código aberto
De titularidade conjunta e alocado em repositório público, software amplia a transparência na formação de preços e permite cocriação com agentes
Publicado em: 15/10/26 15:58 hs | Atualizado em 15/10/26 16:01 hs
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estão avançando no desenvolvimento de um Novo Modelo voltado, em sua primeira etapa, ao planejamento e programação da operação e à formação de preços do setor elétrico brasileiro. A evolução da ferramenta prevê a incorporação de novas funcionalidades em etapas posteriores, inclusive associadas ao planejamento da expansão, observados os estudos, consultas e aprovações correspondentes. As três organizações registraram a titularidade conjunta do Novo Modelo computacional e, na última quinta-feira (08), disponibilizaram seu código em repositório aberto. A medida cria as condições necessárias para que a sociedade acesse, acompanhe a evolução dos desenvolvimentos e proponha aprimoramentos em um ambiente colaborativo.
A governança tripartite reforça a responsabilidade compartilhada de CCEE, ONS e EPE no desenvolvimento dos modelos computacionais, que, em seguida, passarão pelo rito de avaliação e aprovação previstos na regulação vigente para os aprimoramentos relativos ao planejamento e programação da operação e formação de preço. O cronograma inicial prevê a sua implementação ao longo do ciclo 2026/2027, para que possa ser adotado oficialmente no processo de formação de preços a partir de janeiro de 2028.
O cronograma proposto é tentativo e contempla a realização de reuniões periódicas com os agentes, de forma a assegurar o compartilhamento das atividades desenvolvidas, dos resultados obtidos em cada etapa da avaliação e das discussões técnicas entre todos os participantes. De forma condicionada ao sucesso no processo de validação, o cronograma também apresenta o rito a ser seguido para aprovação do Novo Modelo e seu uso oficial a partir de janeiro de 2028 em substituição aos modelos DECOMP e NEWAVE. Caso a validação não seja satisfatória, o cronograma será revisto para continuidade da validação ao longo de 2027 e a consequente postergação do rito de aprovação para o ciclo seguinte, com a consequente adoção oficial a partir de janeiro de 2029.
O trabalho técnico usa como referência os requisitos discutidos com o mercado na Consulta Externa nº5/2026 do Comitê Técnico PMO/PLD sobre o tema, encerrada na última semana. O processo teve como objetivo a definição de características funcionais, tecnológicas e de governança para o novo software, incluindo rastreabilidade metodológica, documentação, controle de qualidade, segurança, versionamento e continuidade dos processos de planejamento e programação da operação e formação de preços. Os requisitos foram organizados em etapas, com entregas ou releases, previstas para os próximos ciclos anuais de desenvolvimento.
“A construção deste modelo reúne conhecimento técnico, inovação aberta e responsabilidade institucional. Ao compartilhar a titularidade e abrir o código, criamos um ambiente transparente para que o mercado participe de sua evolução. Esse avanço será conduzido com rigor, respeitando todas as etapas de validação e aprovação, porque a continuidade e a segurança da formação de preços são premissas fundamentais para as organizações”, afirma Ricardo Simabuku, diretor-presidente interino da CCEE.
“Estamos conduzindo esse processo com total transparência e participação dos agentes. A modernização dos modelos computacionais é um passo importante para acompanhar a evolução do setor elétrico brasileiro, mas precisa ser construída com rigor técnico e ampla validação. Nosso compromisso é garantir que qualquer avanço ocorra com segurança, robustez e confiança para todos os agentes”, afirmou o diretor-geral do ONS, Marcio Rea.
“Para a EPE, a modernização dos modelos precisa estar alinhada ao espírito do artigo 5º da Resolução CNPE nº 1/2024, com uma construção conjunta entre EPE, ONS e CCEE, transparência, participação dos agentes e uma governança adequada. Essa etapa de avaliação e testes é fundamental para trazer diferentes olhares e dar segurança ao processo. A EPE também vem avançando na evolução das suas bases e ferramentas de planejamento e entende que o caminho passa por soluções que se complementem e que consigam representar cada vez melhor um sistema elétrico que mudou muito e muito rápido”, afirma Reinaldo da Cruz Garcia, diretor de Estudos de Energia Elétrica da EPE.
Código aberto amplia colaboração e rastreabilidade
O Novo Modelo foi publicado no GitHub, plataforma amplamente utilizada para o desenvolvimento colaborativo de softwares. Por meio do repositório oficial, agentes, consultorias, universidades, pesquisadores e demais interessados poderão consultar o código, executar testes, acompanhar alterações e sugerir funcionalidades ou aprimoramentos.
A adoção do código aberto amplia o conjunto de participantes capazes de contribuir com a evolução da ferramenta. Uma instituição ou agente que identifique uma oportunidade de melhoria poderá desenvolver e apresentar sua proposta, que deverá passar pela governança técnica e pelos ritos de validação e aprovação aplicáveis antes da eventual incorporação à cadeia de modelos oficiais.
A abertura do código marca o início de uma etapa ampliada de desenvolvimento e validação. O modelo será submetido a um caderno de testes elaborado a partir dos requisitos definidos para sua primeira versão, enquanto as contribuições recebidas na Consulta Externa Nº 005/2026, do Comitê Técnico PMO/PLD, serão analisadas e poderão aprimorar a referência técnica do projeto.
Os agentes poderão baixar o software, executá-lo em seus próprios ambientes e contribuir com as experimentações. Também poderão realizar avaliações adicionais e compartilhar seus resultados. O processo permitirá verificar, entre outros pontos, a qualidade das soluções, o desempenho computacional, a reprodução de resultados e a aderência às necessidades dos processos setoriais.
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A primeira versão foi concebida para atender requisitos essenciais relacionados ao planejamento e programação da operação e à formação de preços, com funcionalidades equivalentes aos modelos oficiais atuais NEWAVE e DECOMP. Entre elas estão a representação da incerteza hidrológica, a representação das fontes de geração eólica e solar, das restrições operativas e dos sistemas de transmissão.
A evolução está organizada em releases. Funcionalidades adicionais, como representações mais detalhadas de armazenamento, demanda, transmissão e serviços ancilares, estão previstas para etapas posteriores, sempre sujeitas aos estudos, às consultas e às aprovações correspondentes. Para as funcionalidades associadas ao Planejamento da Expansão, haverá uma consulta pública específica, bem como a definição da data de entrega do release.
Aprovação seguirá todos os ritos aplicáveis
Após a validação técnica completa do modelo feita em conjunto aos agentes, o modelo avançará para a fase de calibração dos parâmetros de aversão ao risco e, em seguida, seguirá os ritos estabelecidos na Resolução CNPE nº 01/2024, observando as competências das suas instâncias de governança e das demais instituições envolvidas. Ao longo do processo, também estão previstas simulações comparativas entre o Novo Modelo e os atuais modelos NEWAVE e DECOMP, além de períodos de execução paralela, conhecidos como períodos sombra, de 24 meses, entre 2026 e 2027. Esses trabalhos permitem observar o comportamento do modelo para atender às necessidades setoriais antes de qualquer uso oficial e ampliam a segurança dos processos do setor nesta etapa de transição.