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Consumo de energia no mercado livre cresceu 7,3% em 2025, aponta novo EstudoCCEE

Ambiente já conta com 42% do consumo nacional, impulsionado pelos setores de Saneamento e Serviços

Publicado em: 06/03/26 15:11 hs | Atualizado em 06/03/26 15:17 hs

Imagem noturna de uma cidade iluminada

A última edição do EstudoCCEE: Cenários do Mercado Brasileiro de Energia realizado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) reforça que o mercado livre de energia segue em crescimento sustentado. Enquanto no mercado regulado (ACR), que atende residências e pequenos comércios, foi registrada uma retração de 5,1% no consumo, o mercado livre de energia (ACL) manteve o avanço e registrou um crescimento expressivo de 7,3% em relação ao ano anterior. Ao todo, o consumo total de energia do Sistema Interligado Nacional (SIN) apresentou uma leve oscilação negativa de 0,2%.

Clique aqui e acesso o EstudoCCEE: Cenários do Mercado Brasileiro de Energia

Este desempenho consolida o desenvolvimento de uma transformação estrutural: o mercado livre atingiu sua maior participação histórica, respondendo, atualmente, a 42% de toda a energia consumida no país. Para a CCEE, estes números refletem o movimento crescente de migração de consumidores que buscam maior liberdade de escolha, previsibilidade orçamentária e acesso a fontes renováveis.

Saneamento e Serviços lideraram a expansão o mercado livre

Ao observar os ramos de atividade econômica monitorados pela CCEE, nota-se que a alta do mercado livre é generalizada, mas com vetores claros de expansão. O grande destaque de 2025 foi o setor de Saneamento, que registrou um aumento de 28,3% no consumo. Este salto é explicado pela entrada de novos consumidores no ambiente livre, impulsionada pelo novo marco legal do saneamento que vem exigindo o desenvolvimento de infraestrutura intensiva em energia.

Outros setores que tradicionalmente operam no mercado cativo também ampliaram sua presença no ambiente livre. O consumo do segmento de Serviços cresceu 20,6% e o de Comércio avançou 15,0%. Vale notar o aumento tanto no consumo quanto no número de unidades consumidoras nestes segmentos.  Serviços, por exemplo, teve um incremento do seu consumo devido a migração de novas unidades e pelo aumento do consumo das unidades já participantes do mercado livre, enquanto o Comércio também aumentou o seu consumo com a entrada de novas unidades consumidoras.

Em termos de volume absoluto, a indústria segue como âncora do sistema, com o ramo de Metalurgia e Produtos de Metal liderando a demanda, sustentado por cargas eletrointensivas.

Análise Regional: o consumo no mercado livre já ultrapassa do mercado regulado em alguns estados

A análise regional da CCEE revela que o mercado livre já é realidade consolidada em importantes polos econômicos. Em 2025, estados como Pará, Minas Gerais e Paraná registraram mais da metade de todo o seu consumo de energia proveniente do segmento.

No Pará e em Minas Gerais, esse percentual é fortemente influenciado pela atividade de mineração e metalurgia e produtos de metal. Já no Paraná, o resultado é puxado pela diversificação entre os ramos alimentício e de madeira, papel e celulose. Em termos de crescimento percentual do consumo no mercado livre, os destaques foram o Acre, com alta de 9,6%, seguido pelo Maranhão (7,7%) e Pará (4,6%).

Contexto: Por que o consumo total recuou?

O ano de 2024 foi marcado por ondas de calor extremas que elevaram a base de comparação. Em 2025, temperaturas mais amenas, especialmente entre abril e novembro, reduziram o uso de aparelhos de refrigeração (ar-condicionado e ventiladores), impactando fortemente o consumo residencial e comercial no mercado regulado.

Além disso, a expansão contínua da micro e minigeração distribuída (painéis solares em telhados) reduz a demanda exigida da rede. Como essa energia é consumida localmente, ela aparece nas estatísticas como uma redução de consumo no mercado regulado, mascarando a demanda real das residências e pequenos negócios.

Oferta de geração de energia renovável segue em alta

Pelo lado da oferta, o balanço da CCEE traz dados positivos sobre a sustentabilidade da matriz. Em 2025, 90,0% de toda a eletricidade gerada no país (65.129 MW médios do total de 72.339 MW médios) veio de fontes renováveis. Enquanto a geração hidráulica respondeu por 62,2% do total — uma redução frente aos 65,7% do ano anterior —, as fontes eólica e solar ampliaram seu protagonismo, respondendo respectivamente por 17,9% e 5,3% da geração nacional.

Esse cenário é sustentado pela robusta expansão da infraestrutura. A capacidade instalada do país superou os 220 GW, mantendo 86,5% de sua potência em fontes renováveis. O crescimento foi impulsionado principalmente pela região Nordeste, que inseriu 4,6 GW de potência renovável no Sistema Interligado Nacional apenas no último ano.

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